• Manoel Cândido Nogueira

Diretor de Música do MAPP garante reinvenção para São João de 2021



Foto: Reprodução/Estado de Minas

Alessandro dos Santos Silva, mais conhecido como Sandrinho Dupan, tem 39 anos, natural de Campina Grande/PB, é graduado em Gestão Pública pela UEPB. Também é Músico, Compositor, Diretor de Música do Museu de Arte Popular da Paraíba, Palestrante e Especialista sobre a obra de Jackson do Pandeiro. Começou sua carreira em 2000, em Berlim - Alemanha, onde conheceu grandes artistas que auxiliaram na sua atuação. De volta ao Brasil, em 2007, Dupan continuou conquistando o seu espaço como produtor cultural e participou da gravação de CDs e DVDs com grandes personagens da música brasileira, como Alcione, Elba Ramalho, Alceu Valença, Luciano di Camargo, Os Três do Nordeste, Ton Oliveira, Biliu e Roninho do Acordeon.


ENTREVISTA


Como tem sido passar esse período de isolamento social?


“Esse período de isolamento social tem sido muito difícil, não só para mim, mas para toda a população. Quem vive de arte, sobretudo, porque foi a classe que primeiro parou e a última a voltar. A arte tem uma cadeia produtiva que envolve muita gente, como num show. Tem os músicos, você tem os técnicos de som, de iluminação, tem os holdings, os carregadores, segurança, cozinheiro, você tem vários profissionais envolvidos. Então de verdade está sendo ruim para todo mundo”.


Como está o acesso ao Museu nesse período?


“Esse período de isolamento social tem sido complicado. Está fechado por conta da pandemia. A gente tem uma exposição virtual, a de Jackson do Pandeiro, e tem também feito ações pontuais, como foi na semana nacional dos museus, na qual fizemos projeções mapeadas nos vitrais do museu para tentar fazer com que a população dialogue com essa forma de expor.”


Foto: UEPB/Laert Pinheiro

Qual a importância dos artistas paraibanos no cenário nacional?


“A importância da cultura Paraíba no cenário nacional, ela por si só fala. Se a gente for falar de grandes nomes nacionais, temos Jackson do Pandeiro, Geraldo Vandré, Marinês, Vital Farias, Cassiano, Genival Lacerda, Chico César, Lucy Alves, tantos e tantos. É um celeiro de grandes artistas. A gente está acostumado a fazer isso na música, na pintura, no humor... Em vários segmentos a gente sempre foi pioneiro, temos José Lins do Rêgo, Pedro Américo, no humor temos Zé Lezin, Shaolin, tem muita gente boa. A Paraíba sempre foi muito vanguardista nesse aspecto.”



Qual o impacto que o isolamento causa nas pessoas ligadas a cultura, é possível imaginar?


"Primeiramente o impacto financeiro, pois todas as pessoas que fazem música e arte, sentiram diretamente, porque tiveram sua fonte de renda ceifada. Depois, o fator psicológico, porque você se vê sem poder trabalhar... Um exemplo clássico disso é Biliu, ele sempre foi uma pessoa ávida, quem o conhece sabe, e a pandemia parece que o envelheceu 20 anos em um".


Como você define esse período, já que representa um espaço de visitação?
"Um período de perda, literalmente. Porque tínhamos uma exposição de Sivuca engatilhada, bem diagramada que, infelizmente, não rolou e a gente vai colocar um pouco mais pra frente. Mas é perda mesmo no sentido de pessoas, acesso de informações, compartilhamento de ideia... Então, perdemos muito".


Qual a maior dificuldade em dirigir um espaço como o Museu nesse tempo?


"A Paraíba sempre foi vanguardista no aspecto cultural, os nomes que citei anteriormente falam por si só. Também nos aspectos de produção, a gente sempre reinventou. No ano passado tivemos o São João virtual, esse ano vai ser um São João muito maior, o museu vai estar se unindo à Prefeitura e o MIDOW, que são os gestores do São João. Então vem coisa muito boa agora no mês de junho, o museu vai abrir os braços, literalmente, vai vestir uma ‘roupa’ nova, vai ter muitas projeções sobre várias temáticas juninas. Ali nos vitrais vai ter, também, aquela fogueira cenográfica, aquela decoração, o museu vai virar um estúdio para as lives. Enfim, tem muita coisa ainda acontecendo. Agora em Junho vocês vão ver!"

Cantora Elba Ramalho durante live no SJ 2020. Foto: Reprodução G1

Mesmo na pandemia, tivemos uma grande propagação da cultura paraibana. Qual a importância de manter assim e quais as dificuldades?


"A maior dificuldade de dirigir o espaço em um período desse é você ter que se mexer sem poder receber pessoas. A gente tem que se virar, se reinventar, para tentar trazer algo para as pessoas, mesmo com essas dificuldades de impossibilidade de visitação. Então é a criatividade, como foi nas projeções mapeadas, por exemplo, no qual projetamos nas paredes, estar fazendo lives interagindo, discutindo ideias e debatendo temas que consideramos importantes".


Reportagem e produção: Manoel Cândido, Rayssa Mota e Pedro Araújo.

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