• Manoel Cândido Nogueira

OPINIÃO: Uma política que te faz (re)ver ações e valores

Atualizado: Nov 9


Igreja Matriz de Santo Antonio. Piancó/PB - IMAGEM: Aurea Cristina Barros

Não perca seu tempo se está atrás de uma opinião de um especialista. Mas aprecie o ponto de vista de quem apenas observa o desenrolar de uma política numa cidadezinha pacata do interior da Paraíba: Piancó. 


Por muito tempo eu vi a política como algo inerte, sem apreço ou desejo. Mudei! Hoje a vejo e tenho certeza que é através dela que o meio social se desenvolve. Não dá mais pra ficar inerte e não se preocupar.


Não construí, ao longo de minha jornada acadêmica, um pensamento crítico para guardá-lo só para mim. Seria muito egoísmo, ou ignorância.

Preciso dizer o que penso e o porquê pensar assim. Talvez isso ajude as pessoas a refletirem. Não quero dizer que sou o dono da verdade, afinal, o que é verdade pra você? Para mim, é algo que se baseia em fatos concretos e não abstratos, ou pensamentos vazios, alicerçados em desejos íntimos obscuros. No entanto, sabemos que não há verdade absoluta, e se você não sabe, largue de ser ignorante e aceite. 


Aprendi muitas coisas nessa política piancoense... Uma delas é que muitos passam por cima de seus próprios valores em detrimento de um candidato. A pessoa passa um bom tempo criticando a postura de certa liderança política, mas aí chega a eleição, e aquele que não prestava, passa a ser a solução, pois se juntou com o prefeito. Ou o prefeito que não fez nada e agora você vota nele porque a sua opção de voto se juntou a ele: é “farinha do mesmo saco”. Nessa parte não vai embora só a sua falta de vergonha, mas o seu caráter, seus valores... 


Por falar em valores, é uma coisa rara hoje em dia, principalmente quando se trata de política. Meus pais me ensinaram muito bem, na prática, o que é ser digno e possuir valores. Certamente, se hoje eles me pedissem para votar em alguém que eu vejo que não é uma boa opção, não votaria. Ingratidão? JAMAIS. Digo que é respeito. Respeito a toda educação que me deram ao longo de toda minha vida, afinal, aceitar a indicação seria ir contra aquilo que eles mesmos me ensinaram. Ainda bem que não preciso disso! 


Vi gente brigar, esculachar pessoas e hoje estão juntas. Aonde foi parar SEU POSICIONAMENTO?

Outra coisa que aprendi: a “intelectualidade” a serviço do próprio umbigo. Sou professor formado e jamais emprestaria meu poder opinativo a um candidato que sei que não fez uma boa gestão. Sim, porque todos têm consciência da situação da cidade. Se quer votar para garantir seu emprego ou por receber dobrado, vote, tá no seu direito, mas fazer campanha com discursos “cultos” para uma sociedade carente de criticidade é ser 3x mais ignorante. Ou seria 10x? 


Tem mais. Corrupção só se for fora da cidade, não é mesmo? Afinal, berram que é contra a corrupção e fazem parte de um governo que tem como principal liderança uma pessoa que já tem mais de 92 processos, se não acredita, dá um Google... Incoerência? Não! Porque o significado da palavra não consegue abranger todo o seu real significado. 


É triste ver alguém que se posicionava e julgava um governo como não sendo eficaz, e que hoje o defende porque alguém passou pro lado dele. Pra aonde foi o senso crítico dessa pessoa, os seus valores? O que não prestava agora é a solução? Isso vale para TODOS!

Piancó hoje completa seus 272 anos de história. Um tempo longo, marcado por muitas lideranças políticas que nunca colocaram a nossa cidade como prioridade. Afinal, uma cidade tão velha ter apenas 16 mil habitantes é sinal de INCOPETÊNCIA. E se continuarmos assim, chegará aos 500 anos e nada mudará. Enquanto o povo não for letrado, não ser crítico, capaz de chegar a sua própria concepção, teremos uma cidade escravizada e explorada. 

Cabe aos mais capacitados tentar, por mais difícil que seja, abrir os olhos dos que estão cegos, surdos e que ainda não perceberam o tamanho de nosso retrocesso. Deixem a passividade, pois ela de nada serve. Faça alguma, ou seja tão responsável quantos eles!


Manoel Cândido,

Graduado em Letras Língua-Portuguesa/UFCG e estudante de Jornalismo/UEPB.

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