• Manoel Cândido Nogueira

Léo Alves: "O novo jornalista deve ser multifunção"


FOTO: Arquivo pessoal/Léo

Leonardo Alves se formou no curso de Jornalismo da UEPB no ano de 1998, quando o curso de Comunicação ainda funcionava no Bairro do São José, em Campina Grande/PB. Logo depois começou sua especialização em Marketing, finalizada no ano de 2003, e em seguida, seu mestrado em "Desenvolvimento Regional” pela UEPB. Em 2013, deu início ao seu Doutorado em “Planejamento Urbano e Regional” pela UFRJ, no IPUR - Instituto de Planejamento Urbano e Regional, finalizado em 2017.




Sua atuação como docente é dividida em alguns momentos: de 2004 a 2008, quando teve seu primeiro momento como professor; Em 2009 passou aguardando a sua chamada da Lista de Espera do novo concurso; foi chamado em 2010 e lecionou até 2012; em 2013, saiu para fazer o Doutorado; e em 2018, retornou, e atua até hoje como professor substituto. Com isso, soma mais de 10 anos como docente, compartilhando suas experiências e construindo uma relevante história no curso de Jornalismo da UEPB, sobretudo, dos futuros jornalistas.


Leonardo da Silva Alves, 46 anos, pai, católico, assessor, jornalista... Sendo, no passado, repórter da TV Paraíba, apresentador na TV Borborema, onde também foi repórter. Hoje, atua como comentarista esportivo na Rádio CBN e, eventualmente, faz um extra, comentando ou entrevistando, nas coberturas esportivas do Jornal da Paraíba. Mais conhecido como Léo, figura visível do rádio paraibano.


Além de tudo isso, é um degustador apaixonado por vinhos. Para ele, essa bebida ensina muito. “Desde que mergulhei nesse mundo, percebi que o vinho ensina lições. Como as uvas são esmagadas para produzir um bom vinho, a vida, em vários momentos, nos esmaga para tirar o melhor de nós”.



O pai do João Pedro, e esposo da Karla Alves, diz com orgulho que o filho é o presente que o ensina a dar sempre o melhor de si. Também demonstra ser uma pessoa bastante devota a Deus ao relatar que a sua fé o concedeu oportunidades inimagináveis. “A vida é interessante, mas é a fé... Deus manda seguir, a gente vai seguindo”, pontuou totalmente surpreso com as portas inesperadas que foram abertas para ele no jornalismo. Agradecido por tudo, logo cedo ao acordar ele lê o evangelho diário, prática comum na fé católica.



Nascido em família humilde, sempre foi incentivado a realizar os seus sonhos e quando surgiram as dúvidas e inseguranças diante das situações difíceis, os seus pais estavam em prontidão para apoiá-lo. Desde sua juventude precisou trabalhar para ajudar sua família. Como o seu pai tinha uma granja, Léo se “tornou”, por um tempo, vendedor de frango vivo na Feira Central e na Feira da Prata de Campina Grande.


Influenciado desde pequeno por seu tio radialista, Gutemberg Simões, que o levava para o acompanhar em seus programas de rádio, acabou tomando o “gosto da coisa” e viu que existe um grande impacto social através das palavras ditas em um microfone. Apesar de se formar no curso de Eletrônica na Escola Técnica Redentorista, prestar vestibular para Direito e até cursar alguns períodos de Engenharia Mecânica, o seu coração estava marcado pelas experiências que teve no rádio e isso o fez cogitar a ideia de cursar Jornalismo.


Gutemberg Simões e Léo. FOTO: Arquivo pessoal

Embora ainda estivesse balançado, conciliou Engenharia Mecânica com Jornalismo e caminhou em uma rotina cansativa por um bom tempo. Logo em seguida, conseguiu um estágio no Sesc e então abriu mão da possível carreira de engenheiro mecânico. Em 1995, retornou ao seu primeiro campo de atuação: o rádio. Contribuiu como plantonista na rádio Caturité por indicação de Morib Macedo e acabou trabalhando com Zelito Lucena. Três anos depois, concluiu o curso e iniciou a trajetória como setorista do Campinense Clube, na função de editor de esportes no Diário da Borborema.

Mesmo com experiências no rádio e na redação de esportes, a vida preparou outra surpresa que nunca lhe foi pensada: “trabalhar em televisão [...] eu acho que eu não tenho perfil para isso”, afirmou. Mesmo assim, trabalhou por dez anos como chefe de produção na TV Paraíba, agora imagine se ele tivesse o perfil, não é?.



Hoje, diante das inúmeras inseguranças que a pandemia do novo coronavírus trouxe ao mundo, os rígidos protocolos vieram carregados de desespero frente a um futuro ainda mais incerto. O distanciamento social, o uso constante de máscara e álcool em gel, sem contar com as milhares de mortes acometidas por essa doença, remodelaram a realidade atual. O “novo normal” tem sugerido a todos uma rotina diferente, principalmente para profissionais da comunicação.


As dúvidas e os medos que pairavam sobre os cidadãos em meio a pandemia também atingiram a parte educacional. Novos meios tiveram que ser explorados e a criatividade para proporcionar uma aula interativa teve que ser colocada em prática.


“Foi um momento de muita insegurança. Eu acho que parte de todos [alunos e professores]. Uma coisa é a gente estar em sala de aula, é um ambiente, que de certa forma, a gente dominava, conhecia, e a gente partiu para um ambiente desconhecido, que era justamente esse encontro remoto como a gente tá fazendo aqui [se referindo a entrevista]. Como se comportar? Como prender a atenção dos alunos durante uma hora olhando para uma tela muitas vezes olhando para o slide e escutando somente voz do professor?”, relatou.

Por outro lado, Léo viu essa necessidade de adaptação como algo promissor para a volta às aulas presenciais, em que novas tecnologias poderão ser exploradas para uma melhor experiência no processo de ensino/aprendizagem. E também como algo que veio para nos tirar da zona de conforto, no que diz respeito ao uso dessas novas tecnologias. “Vários colegas de trabalho [outros professores] da área de computação já utilizavam o Classroom há muito tempo. Já tinham me mostrado e eu, por acomodação, nunca me interessei em utilizá-lo. Quando veio a pandemia, a gente foi obrigado a fazer tudo isso, e a gente percebeu o quanto facilitou a nossa vida. Quando nós estivermos presencialmente, o Classroom será o nosso instrumento de trabalho. Quando precisar dar um aviso, dar um material, alcanço todo mundo. Isso vai ficar!”, acrescentou.



Já na atuação como repórter, estava arisco por ter que voltar ao campo futebolístico para produzir reportagens. Mas, Léo encarou o desafio e avançou com cuidado e persistência de que dias melhores virão, seguindo o lema da banda Jota Quest. Após muitos dias distante do campo, a bola teve que voltar a rolar no gramado e o impedimento que antes era feito pelo árbitro aos jogadores, tomou conta das arquibancadas que agora estão vazias. Mas, apesar de tudo isso, os torcedores podiam ao menos ouvir e assistir as partidas diretamente de suas casas, seguros. Contudo, sem a emoção de estarem em um estádio, vibrando com cada lance de seu time favorito.


Essa possibilidade só aconteceu por causa de profissionais como Léo, dispostos a enfrentar o medo para informar o público. Em uma das ocasiões, ele esteve “cara-a-cara” com o vírus. "Um jogo do Treze, por exemplo, aconteceu em uma quinta-feira e na segunda-feira o time todo já estava em quarentena, nisso eu tinha entrevistado um dos jogadores e fiquei com medo. Então, cada vez que fui trabalhar tive medo, apesar de ser um lugar ao ar livre”, contou.


Independentemente desse processo de adaptação do mundo, as plataformas multimidiáticas estão à disposição dos que assistem e dos que emitem as notícias, ainda que existam dificuldades a serem enfrentadas para inovar. O mundo parou, menos o jornalismo.

“Uma das coisas que o jornalismo vai se apropriar após a pandemia, além da multiplataforma, será o multi uso das tecnologias para a produção de material. Hoje em dia no rádio, eu não preciso marcar uma entrevista e trazê-lo [o entrevistado] ao programa ou ligar para ele, eu posso enviar as perguntas [via whatsapp] e ele responder em áudio, isso já vem sendo usado. Outro exemplo é na TV, posso usar o celular na horizontal e gravar determinadas cenas e enviar. Muitos cursos e reuniões de pautas vêm sendo feitas de forma remota. Então acredito que essa é uma das consequências da pandemia.”


O que o nosso entrevistado fala tem total sentido. O mundo moderno sempre está em evolução e cabe à sociedade acompanhar as novas formas que são necessárias nesse processo de renovação. O novo perfil do jornalista é o multiplataforma, como Léo frisa “tem que ser multifunção”. A crescente necessidade de produção para várias plataformas como TV, rádio, portal e, mais recentemente, produções de podcasts e matérias adaptáveis às redes sociais, são as exigências do novo jornalista da atualidade. Não basta apenas escrever uma matéria, é preciso mais que isso, é fundamental ser multi.


FICHA TÉCNICA:

Texto: Rayssa Mota, Pedro Araújo e Manoel Cândido

Produção e edição: Manoel Cândido

Imagens: Arquivo pessoal/Redes sociais - Léo Alves

Matéria desenvolvida para a disciplina de Jornalismo Digital, ministrada pela professora Rackel Cardoso. 24/08/21.

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