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Campanha 'Setembro Amarelo' visa conscientizar a sociedade sobre tragédia silenciosa

Atualizado: Out 1

Casos de suicídios no mundo chegam a mais de 1 milhão por ano. No Brasil, estatísticas apontam para mais de 10 mil por ano



A Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, juntamente com o Conselho Federal de Medicina – CFM, desenvolvem no Brasil, há mais de 7 anos, a campanha Setembro Amarelo. O objetivo principal das ações é unir forças no combate e prevenção ao suicídio. A campanha orienta a sociedade sobre doenças mentais, realizam eventos científicos e culturais, além de divulgarem mensagens e informações sobre o tema.


A campanha é importante, pois, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa tira sua vida no mundo, chegando a mais de 1 milhão de vidas por ano. No Brasil, segundo um dos levantamentos mais recentes divulgados pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos/Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, de agosto de 2020, 1/4 dos jovens entre 18 e 24 anos considerou seriamente suicídio, a informação pode ser encontrada no site da campanha Setembro Amarelo.



Para a Dra. Gabriela Balduino, médica psiquiatra pelo HC–UFG e com experiência em Transtorno Depressivo e Suicídio, a importância da campanha Setembro Amarelo se justifica por ser um problema de saúde pública.


“Tem uma tragédia que é silenciosa e é silenciada. A única forma que a gente vê de tentar prevenir, que seria intervir antes que aconteça, é levando informação para as pessoas”, afirma.

Não é possível saber exatamente o que pode levar uma pessoa a atentar contra sua vida, porque isso depende de inúmeros acontecimentos ao longo das vivências. Mas, a maioria dos casos estão relacionados a presença de transtornos mentais. “Os mais comuns são transtorno depressivo, transtorno bipolar de humor e o transtorno por uso de dependência química”, conta a doutora. Outros fatores podem contribuir para o desenvolvimento do problema e seu agravamento. A falta de qualidade de vida, como recursos, outros problemas de saúde e a presença em ambientes tóxicos. Tudo isso entra como fator de risco e que, às vezes, pode ser o gatilho final.



É bom a pessoa ficar atenta a algumas alterações em seu comportamento que persistiram por mais de duas semanas. Se afastar das pessoas, deixar de fazer coisas que gostava de fazer, possuir sentimento de tristeza, de vazio e de falta de perspectiva de sentido na vida, ou quando nota que está tudo mais difícil, com prejuízo do sono e alteração de apetite, bem como os sintomas de ansiedade. Qualquer um desses comportamentos já é indício para que a pessoa procure um profissional, alerta a psiquiatra.


Foi o caso da professora Maria de Fátima, 24, que passou por momentos difíceis ao ter pensamentos negativos. Ela mesma decidiu buscar ajuda médica. “Eu estava vivendo situações que estavam fora de controle. Então eu comecei a ler a respeito e realmente vi que era melhor procurar um médico especializado”. Fátima ainda relata que a parte mais difícil é aceitar que tem um problema e o julgamento dos outros. “Muitas vezes as pessoas leigas começam a achar que é falta de Deus, que é besteira, frescura, essas coisas. Julgam sem saber o que realmente está acontecendo com você, mas aceitar também que você tem um problema é bem difícil”, confessa.


“Essas pessoas precisam ser acolhidas, terem espaço para se sentirem confortáveis para compartilhar a dor e pensamentos que estão lhes incomodando. Se uma pessoa costumava a se comportar de um determinado padrão e de repente aquilo mudou, liga um alerta e investigue melhor. Investigue não com o olhar de apontar o que ela deve fazer ou não, mas de questionar, de se colocar à disposição para ajudá-la”, conta Dra. Gabriela.

Segundo o Terapeuta Holístico e concluinte do curso de Psicologia pela Faculdade Santa Maria – FSM, Joelson Oliveira, 31, é preciso ter empatia e acolher as pessoas que estão passando por algum momento difícil, mas é importante evitar certas perguntas e julgamentos. “A pessoa precisa ser humanista e aceitar incondicionalmente o outro. São situações facilitadoras que se encaixam em todos os processos, e acolhem a demanda daquela pessoa. Não é interessante chegar com um discurso moralista, religioso, dizendo que é falta de Deus ou algo do tipo”, pontua.


58% dos jovens tiveram tristeza durante a pandemia do novo coronavírus. Fonte: Ipec/Pfizer/Agência Brasil.

A pandemia do novo coronavírus foi um fator que trouxe diversos problemas no mundo inteiro, principalmente no que está relacionado à saúde mental. A psicopedagoga Jany Emanuely, 40, afirma que o início da quarentena foi o período mais angustiante para ela. “A pandemia trouxe bem forte a questão da minha ansiedade, meus medos, e minhas angústias que se intensificaram justamente na pandemia. No início eu fiquei muito amedrontada, chorava muito com medo pela minha família, pelos meus pais. Não saía nem de casa e fiquei muito apavorada, em pânico”, conta.



Somente com o passar dos dias foi que Jany conseguiu se acalmar. Mas, decidiu buscar ajuda profissional para ter uma vida mais tranquila. Para ela, a campanha do Setembro Amarelo é essencial. “Eu acho importante porque existem pessoas que às vezes não conseguem se perceber, não conseguem aceitar que precisam de ajuda, chegando a colocar sua vida em risco com a questão do suicídio. Então essa campanha é importantíssima para esclarecer as pessoas que elas podem procurar ajuda. Quem passa por essas questões, como a depressão, é caso de procurar um profissional, e lembrá-las que elas não estão sozinhas”, conclui.


O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento psicológico de forma gratuita a quem estiver interessado em se consultar. O interessado deve procurar o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Estes centros são compostos não apenas por Psicólogos, mas também por Psiquiatras, Enfermeiros, Assistentes Sociais e Terapeutas.

FICHA TÉCNICA

Produção e reportagem: Manoel Cândido

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