• Manoel Cândido Nogueira

Atleta de vôlei relata como está quase um ano depois de sofrer grave acidente

Atualizado: Abr 27


Foto: reprodução/internet

Suellen Nóbrega (37) sofreu um grave acidente de moto em junho de 2020 na cidade de Patos/PB, fazendo com que ela enfrentasse uma batalha pela sobrevivência. A atleta de vôlei, e ex-candidata do Miss Bumbum 2018 pela Paraíba, passou cinco dias sedada na Unidade de Terapia Intensiva – UTI, em estado grave. Até hoje ela já realizou cinco cirurgias em decorrência das sequelas do acidente. Devido a gravidade do estado dela, Suellen teve que amputar o braço esquerdo, ceifando não somente as suas capacidades motoras, mas uma de suas paixões: o vôlei. Por muitos anos a atleta jogou pela AABB e depois passou a integrar o Czvôlei, ambos os times são da cidade de Cajazeiras/PB. Acompanhe a nossa entrevista completa logo abaixo.



Você passou por uma situação muito delicada que exigiu alguns procedimentos médicos. Quantas cirurgias você já fez até hoje?

"Fiz a amputação do antebraço esquerdo, duas cirurgias na perna esquerda que também quase amputei, e duas cirurgias no braço direito, no qual tive 3 fraturas expostas, e perdi quase que todo o movimento dele".

Como está o processo de recuperação? Você ainda sente dores?

"Minha recuperação ainda requer paciência e muita perseverança. Sinto muitas dores do membro fantasma [sensação da presença do membro ou do órgão após a sua retirada] e no joelho esquerdo."


foto: arquivo pessoal

Você sempre praticou esportes, como o vôlei. Já jogou pela AABB e pelo Czvôlei, ambos de Cajazeiras/PB. Quais campeonatos de vôlei você já participou, e o que o esporte te deu que você se orgulha muito?

"Sempre pratiquei esportes desde a época de escola, aos 17 anos comecei a defender o clube da AABB onde jogava vôlei na posição de líbero. Participando a nível nacional da FENABB (Federação nacional das AABBs). O esporte me deu competitividade, motivação. Hoje meu maior desafio sou eu contra eu mesma".

Então, diante desse histórico, como você define o vôlei, e qual foi o momento mais difícil após o acidente?

"O vôlei passou a ser um dos meus principais hobbies, era meu lazer, minha terapia. O momento mais difícil foi a consulta com médico da prótese, criei muita expectativa com relação ao uso de uma. No entanto ouvir do médico que meu braço foi amputado no pior local, foi desanimador".

Foto: arquivo pessoal

Como foi sua reação ao retomar a consciência e perceber que amputaram seu braço? Você pensou que dali em diante seria difícil, ou quase impossível, voltar a jogar vôlei?

"Fiquei sabendo da amputação do meu braço no sexto dia que eu estava na UTI. Não fiquei triste, mas fiquei grata porque em meio a tudo eu estava viva. Em relação ao vôlei, fui com 4 meses pós o acidente assistir a um campeonato da FENABB, o qual joguei 20 anos consecutivos, foi um mix de sentimentos, alegria, tristeza, medo, angústia. Senti que seria difícil ou quase impossível voltar a jogar, mas no fundo pensei: eu ainda vou tentar".

Você já entrou em uma quadra de vôlei depois de tudo? Qual a sensação de ver outras pessoas jogando e de não poder participar como antes?

"Fui ao meu primeiro treino com 6 meses após o acidente. Foi uma emoção sem tamanho, entrei em quadra e joguei com toda dificuldade, e foi ali que descobri que ainda não era minha despedida das quadras, não sei se jogarei mais campeonato, mas meu hobby está vivíssimo".


Suellen antes do aceidente. Foto: arquivo pessoal

Como foi passar por tudo isso, sente alguma raiva?

"Enfrentar um acidente, uma reabilitação, com a perda de um membro, em meio a uma pandemia foi realmente assustador e desafiador, mas o maior sentimento que move a minha vida é o da gratidão e paciência, porque tudo na vida é um processo. E não tenho sentimento algum de raiva, de tristeza, até porque enquanto há vida, há esperança".

Se você pudesse voltar no tempo, o que você não teria feito naquele dia 09 de junho de 2020?

"Não consigo me projetar no passado, a vida é hoje, agora. Aprendi a converter medo em prudência, erros em iniciativas, desejo em ação, dor em transformação e passado em aprendizado. A vida não pega leve, nem vai parar pra você aprender a viver. O caminho se faz caminhando. A vida é sobre continuar e converter".

Qual o sentimento que te define hoje, e como tem encarado os novos desafios quase um ano depois do acontecido?

“Gratidão por estar viva. A beleza do ser humano está na incapacidade de ser perfeito. Acolha-se, cuide-se, aprenda que tudo na vida é um processo. Uso com sabedoria, ressignificar minhas dores e meus traumas me ajudaram a encarar o novo normal de forma mais leve. E lembre-se sempre de se lembrar que sua alma é colorida pela cor dos nossos pensamentos”.

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